segunda-feira, 14 de março de 2011

Rua Sinfónica

Por mil e uma imagens
o espinho da existência,
imagens musicais, simplistas
mas de sinfónico perfeccionismo.
Do sexo à droga
do crime à inexistência
e eu aqui a compôr o cenário
sem a razão, de quem a tem.
Os desacertos são desta sinfonia
pela sensação do sonho do homem
sem que dele se saiba se algum lado leva,
se o fogo arde ou não,
se o desejo é mais forte,
se terá ou não a sorte.
Tudo fala e ninguém diz nada
porque o cantor, não canta
apenas se ouve a sinfonia
e o prazer ordena e comanda,
para tornar o escravo em homem
e o homem em escravo
porque "beber deste fontanário"
é sublime demais
e sublime é parecer
sem ter de o ser.
A rua está em festa
com a sinfonia do dinheiro
e a vaidade de o ter.
A democracia musical
de fetichismo material
esboça o concerto da noite, de hoje.
Sem cantores, apenas sinfonia
o que foi música já não é
e o que é, não o será.
Pela verdade sincrónica
o gesto das massas
é pedir o encore
e despedir-se da utopia
de viver sem sinfonia;
Aquela que mais me atrai
a dança da noite;
essa só tu a poderás dançar
sem teres vontade de ir
mas com vontade de ficar
De ficar até amar...

Autor: Pedro F Patricio

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