segunda-feira, 21 de março de 2011

Deserto

O prazer tem olhos,
rompe a fronteira do deserto
onde criaturas passeiam a morte
e a chama queima por perto.
Não é por nós que grita!
é por nós que vai na alma,
porque nada o limita,
porque nada o imita,
pelos dedos da fantasia
pelos contornos do setim,
atiro-me para as mãos do sonho
para esta noite acordar, por fim,
passo a passo, vou de mansinho
no cortejo fúnebre do tinho
na mancha encarnada dos sentidos
no azul entornado pelo mar
por onde o caminho me levar.
Aceno, lá longe, aquem me ouve
no cenário do teu olhar,
no vento de quem destinar.
Não me tento por mais
porque de mim não sais.
A esculpir moldas-me o corpo
como se fosse de ti um sopro,
e, preparo a dança da noite...
negra e bela, de sensualidade
bem para além da realidade
onde o suspiro é meu
...e teu...
e na mão colocas o tempo
bem apertadinho por entre os dedos,
assim como o vento,
que te afasta os medos.
Num minuto, caímos na areia
para a mordida fatal do scorpio
no saboroso veneno de perdição,
num escaldante toque de maldição.
habito aqui...!!!

Autor: Pedro F Patricio

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